30/03/13

CANTO DO HOMEM SOBRE O VERDUGO

Vergado pelo jugo
não cede
compete

não dorme o verdugo

na rua o futuro
parado
suspende

sustém e suspeita
tão raso na pele a fome que é
seita

25/03/13

nunca
ter estado
suficientemente
próximo

nunca
te ter
fixado
longamente

nunca
ter
festejado

20/03/13

COSMOCÓPULA

I

Membro a pino
dia é macho
submarino
é entre coxas
teu mergulho
vício de ostras.

II

O corpo é praia a boca é a nascente
e é na vulva que a areia é mais sedenta
poro a poro vou sendo o curso de água
da tua língua demasiada e lenta
dentes e unhas rebentam como pinhas
de carnívoras plantas te é meu ventre
abro-te as coxas e deixo-te crescer
duro  e cheiroso como o loendro.

Natália Correia
in ANTOLOGIA DE POESIA PORTUGUESA ERÓTICA E SATÍRICA, Ed. Antígona

15/03/13

A morte deixa-nos saudades, aos que ficam,
Do que já está perdido
Ignoramos o seu Cuidado
Como se não tivesse nascido.


Pelos  seus lugares de outrora, nós
Seguimos como Indivíduos 
que algo perderam, a procura
É tudo o que resta, agora -


in ESTA É A MINHA CARTA AO MUNDO E OUTROS POEMAS, Emily Dickinson, ed. Assírio & Alvim

10/03/13

O Nascimento de Blimunda

Passados doze meses
Eis que a mãe elefanta e o pai elefante
Olham um para o outro
E enfastiados, cansados
De uma longa espera
Prevêem o que irá suceder

Um grande dilúvio
Vindo mesmo do ventre
Da mãe elefanta

Corajosa,
E sem nada temer
Aceita aquilo que tanto esperavam