07/11/15
17/06/15
O corpo de dorido
Entrega-se ao quebranto
resignado
Cansado de lutar
Surpreendido
O corpo tudo deu
Ao dar-te a si
E por ao que se deu
Foi derrubado
Desiste do porquê
Do perguntar inútil
Olhos febris
Sem ver
Ainda fitam
O vidro que o sol bate
E de momento
Pela dor
Vencido fica
À dor agrilhoado
Corpo do corpo-escravo
Jaz, vencido
Mas logo vencedor
Pelo olhar
Liberto
Pois que o olhar
Insiste
Deslumbrado
Maria Eugénia Cunhal
in História de Um Condenado à Morte
21/03/15
Não limpes as minhas lágrimas.
Elas nunca secarão.
Atira terra sobre o meu caixão
E cravos vermelhos sobre mim.
Nunca haverá nada para além do fim.
Deixa-me partir.
No meu silêncio.
Com as estrelas e o luar,
Dançando nas ondas do mar,
Deixa-me partir,
Num tango, ou numa valsa.
Deixa-me partir.
Para lá. Onde tudo é sonho.
Onde tudo é silêncio.
Idália Caeiro
Elas nunca secarão.
Atira terra sobre o meu caixão
E cravos vermelhos sobre mim.
Nunca haverá nada para além do fim.
Deixa-me partir.
No meu silêncio.
Com as estrelas e o luar,
Dançando nas ondas do mar,
Deixa-me partir,
Num tango, ou numa valsa.
Deixa-me partir.
Para lá. Onde tudo é sonho.
Onde tudo é silêncio.
Idália Caeiro
08/12/14
Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Cecília Meireles
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Cecília Meireles
04/12/14
Coragem
É o que vai pesar no prato da balança,
Bem o sabemos, é o que neste momento está em causa.
Soou nos relógios a hora da coragem.
Coragem não irá faltar-nos.
Cair sob balas mortais não será terrível,
Não será amargo ficar sem abrigo -
Havemos de preservar-te, língua russa,
Grande palavra russa.
Guardar-te livre e pura, para te dar
Aos nossos descendentes, liberta de jugo
Para sempre!
Fevereiro de 1942
Ana Akhmatova
Tradução de Luiza Neto Jorge
Bem o sabemos, é o que neste momento está em causa.
Soou nos relógios a hora da coragem.
Coragem não irá faltar-nos.
Cair sob balas mortais não será terrível,
Não será amargo ficar sem abrigo -
Havemos de preservar-te, língua russa,
Grande palavra russa.
Guardar-te livre e pura, para te dar
Aos nossos descendentes, liberta de jugo
Para sempre!
Fevereiro de 1942
Ana Akhmatova
Tradução de Luiza Neto Jorge
Subscrever:
Mensagens (Atom)
