25/05/13
20/05/13
Dez Chamamentos ao Amigo
VII
Essa lua enlutada, esse desassossego
A convulsão de dentro, ilharga
Dentro da solidão, corpo morrendo
Tudo isso te devo. E eram tão vastas
As coisas planejadas, navios,
Muralhas de marfim, palavras largas
Consentimento sempre. E seria dezembro.
Um cavalo de jade sob as águas
Dupla transparência, fio suspenso
Todas essas coisas nas pontas dos teus dedos
E tudo se desfez no pórtico do tempo
Em lívido silêncio. Um sol que não vejo
Também isso te devo.
Hilda Hilst
Essa lua enlutada, esse desassossego
A convulsão de dentro, ilharga
Dentro da solidão, corpo morrendo
Tudo isso te devo. E eram tão vastas
As coisas planejadas, navios,
Muralhas de marfim, palavras largas
Consentimento sempre. E seria dezembro.
Um cavalo de jade sob as águas
Dupla transparência, fio suspenso
Todas essas coisas nas pontas dos teus dedos
E tudo se desfez no pórtico do tempo
Em lívido silêncio. Um sol que não vejo
Também isso te devo.
Hilda Hilst
15/05/13
QUADRADA
TELEGRAFIA SEM FIM
Onde o sonho do profundo
se adormece
E as flores do enquanto
me seduzem
Neste vento que me paira
e acontece,
O tempo do cansaço me
escurece
E das estrelas instantes
se conduzem
Geométricas e finas
linhas frias
Cadentes de sonhadas
geografias.
Ó meu cantar além dentro
de mim
Ó meu saber nos dedos o
que vejo,
Eu sei traçar a negação
do fim
No sempre que se aquece
para quem
Se cria e se inventa de
desejo.
Salette Tavares
20 Anos de Poesia
portuguesa, Círculo de Poesia Moraes Editores
10/05/13
A Pegada do Yeti
Um dia eu te direi o nome
do silêncio
o pronome da cólera
Esta chuva destrói a cor
dos nossos olhos
Eu te direi a luz do
sussurro do vento
aberto na boca
É preciso ensinar as
palavras
com paciência
guiá-las docemente são crianças
grávidas e serenas
Um dia eu te direi a face
do papel
onde erguerei a casa
o jardim fecundado
pela gota de sangue
Eu te direi como a
ternura quebra
o fósforo se esvai
Maria Alberta Menéres
20 Anos de Poesia
portuguesa, Círculo de Poesia Moraes Editores
05/05/13
TEMPO DE NOTÍCIA
vós
enviaram-me a vós
transportando nos cabelos
esperanças clandestinas
de muralhas quotidianas
sem bandeiras metálicas
aguardem-me no aço dos olhos
contrabando de tristeza
me enviaram de notícias
nos pulsos
enviaram-me a vós
transportando nos cabelos
esperanças clandestinas
de muralhas quotidianas
sem bandeiras metálicas
aguardem-me no aço dos olhos
contrabando de tristeza
me enviaram de notícias
nos pulsos
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