13/07/12

Conturbações VII

Em cada dia
Um inchaço
Um derrame sanguíneo

Em cada dia
Um cansaço
Um derrame glandular

Em cada dia
Um baço
Um derrame hormonal

Em cada dia
Um traço
Um derrame epidérmico

Bárbara Bardas

09/07/12

Conturbações VI

Fosse cada conturbação
Uma década de relacionamento

Fosse cada conturbação
Um ano de vida partilhada

Fosse cada acto, cada decisão, cada opção
Uma palavra exacta

Fosse em cada aprendizagem, 
em cada vitória, 
em cada desânimo, 
em cada construção, 
em cada passo conjunto
Uma conturbação

Fosse em cada drama: 
uma tragédia, 
uma comédia

Fosse em cada 20€/2 x 7

Fosse em cada uivo, 
em cada dor, 
em cada enchente de pequenos actos
Uma conturbação

Fossem

Todas as relações                                  Assim                                        Sejam

Montanhas

Épicas.

Bárbara Bardas

06/07/12

Conturbações V

Seja em Portugal, Marrocos ou Brasil
O machismo é sempre igual
Basta haver um corpo
E uma mente – feminina ou masculina.

Bárbara Bardas

04/07/12

Conturbações IV

Bichos, grilos e gafanhotos.
Caem do tecto (embora este não esteja podre).
Falam comigo. Os bichos.

Bam! Bam!
São oito da manhã.
Dois tiros a arrebentarem-me a cachimónia.
Pássaro gordo na banheira.
Descobre a saída.
Susto.

Saudades esboroadas.
Assim…
Rumo ao norte das conturbações produtivas.

(Não obstante o desemprego, a troika, o fmi, o bce e todas as maldades).

Quanta imensidão cabe sob o peito de B.B.?

Tantas (felizes) conturbações.
Dizem os bichos.

Viva.

02/07/12

Conturbações III

Fosse cada onda
Uma conturbação
Em noite agitada

Fosse cada insónia
Uma conturbação
Em dia de maresia

Fosse cada desvaire
Uma conturbação
Em tarde calma

Fossem!

Irrompendo a manhã clara.

Em barda!

Bárbara Bardas