17/04/12

Há algum tempo:

Um pesadelo surge
Acordas estremunhado
Ainda a dormir passas a mão pelo rosto
Enquanto sentes uma erupção
Apalpa-la com a ponta dos dedos
Enquanto a sentes a catucar
a tua pele de dentro para fora
Sentes uma cauda bicuda, pontiaguda                            um verme
Que te furou a carne do queixo, do lado direito
Acordas em sobressalto
Não cabendo em ti de asco
Feito mutante
Feito besta
Feito monstro

B.B Pásion

16/04/12

O amor que te tenho
vai comigo
até morrer
até ao dia do meu esqueleto
ser doado às aulas de ciências da natureza

B.B Pásion

15/04/12










Ela vem
quando eu cerro as pálpebras pesadas
e apoio a cabeça na escuridão do desejado sono
Vem muito branca muito lenta
Fita-me calada
e muito direita
começa desatando seus cabelos negros
Abre a boca num riso que eu não oiço
deixa cair o seu vestido todo
E enquanto eu olho fascinada o seu ventre coroado de negro

seis homens pequeninos e muito encarquilhados
agarram suas seis tetas
e sugam-lhes os bicos
rosados e rijos de prazer

Ana Hatherly
in ANTOLOGIA DE POESIA PORTUGUESA ERÓTICA E SATÍRICA, Ed. Antígona

10/04/12

AVISO

vêm avisar-me que alguém estará à esquina
de quando penso. e sabendo-o recuso-me.
e se prolongo os olhos alguém pernoitará
à esquina de quando durmo. e por isso acordo.

e pergunto: porque virá alguém ocupar-me
a esquina de quando durmo e quando penso
se é imperfeito o espaço entre a vigilância
e o sonho? insuspeita a hipérbole do sono?

vêm avisar-me de que terás chegado
a esta esquina de quando penso e durmo.
e logo se nega a razão de ser da insónia.

Wanda Ramos

in A JOVEM POESIA PORTUGUESA/1, ED. LIMIAR


03/04/12

duas grandes bolas cheias de branco
na minha face - esquerda e direita
qual agonia c(r)ónica
assim
a destruir-me os nervos de aço
(oh oh - suspiro irónico)
não brancas de ingénuas
antes brancas de leitosas
a jorrarem-me
alergia
alegria onírica
de dor aguda

B.B. Pásion